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Saúde no país doente

Muito se discute o atendimento médico-hospitalar, público e privado, mas pouco se investe em prevenção.

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Publicado em: 07 de janeiro de 2016

A emergência provocada pelo surto do zika expõe uma vez mais a fragilidade do nosso sistema de saúde. Muito se discute o atendimento médico-hospitalar, público e privado, mas pouco se investe em prevenção. Cuidamos mais da doença do que da saúde. Assim, nos tornamos pacientes crônicos de uma medicina de atendimento deficiente e custos crescentes.

A ameaça trazida (mais uma vez) pelo Aedes aegypti, no entanto, nos oferece a oportunidade de tratar de frente a questão, unindo em torno de objetivos comuns os mais diversos agentes que atuam na saúde: governos, seguradoras, operadoras, médicos, hospitais, empresas e a população de modo geral. Porque não bastará preparar médicos e hospitais para vencer a doença.

A saúde não é um problema de governos e dos planos de saúde apenas. Demanda uma mobilização maior e mais articulada. O receituário para enfrentar o zika, por exemplo, exige cuidados que devemos ter em todas as situações que envolvem saúde pública. Vejamos.

A doença é transmitida por um mosquito conhecido, cuja forma de prevenção é conhecida, depois de anos de combate à dengue e fumacê. Trata-se de conter a proliferação do mosquito, evitando depósitos de água parada, como fez com sucesso Oswaldo Cruz no século passado, para acabar com a febre amarela. É tarefa de todos e de cada um de nós.

O governo precisa difundir tais informações. E acionar os agentes sanitários, se necessário com logística e suporte de segurança pública. Médicos e hospitais devem orientar seus pacientes. As empresas podem informar seus funcionários. E cada caso deve ser notificado, para se formar um banco de dados sobre a doença.

No caso do zika, há uma população especialmente vulnerável, a de mulheres grávidas, que correm o risco de gerar crianças com microcefalia. O cuidado é maior, e todos os agentes devem se mobilizar para garantir que as mulheres com manchas vermelhas no corpo em algum momento da gravidez sejam encaminhadas a atendimento especializado para o devido tratamento.

Como se vê, nem o governo sozinho nem os hospitais e planos de saúde conseguirão enfrentar o problema por sua conta, isoladamente. Como de resto está demonstrado que não serão capazes de enfrentar problemas crônicos como obesidade, pressão alta, Aids, câncer ou diabetes, entre tantos outros, agindo de forma descoordenada.

A boa notícia é que, a exemplo do que aconteceu em países como Inglaterra e EUA, que se defrontaram com os desafios da saúde, todos os agentes estão dispostos a se unir na busca de soluções. Eles estão reunidos na ASAP, Aliança para a Saúde Populacional, criada em 2012 para implantar uma medicina mais moderna e universal. E que começa a ter resultados com a integração dos esforços dos agentes da saúde.

O objetivo é identificar e estimular as boas práticas na Medicina, uma medicina mais preventiva e social: quanto vai nos custar — ao país, às empresas, ao governo, às famílias — a ameaça do zika, que nem somos capazes de entender na sua complexidade? Quanto dinheiro e sofrimento não pouparíamos se ações como as propostas pela Fiocruz para a erradicação do mosquito tivessem sido adotadas na hora certa?

O desafio é oferecer ao Brasil um plano de saúde efetivo, e não o atendimento precário e inesgotável de doenças.

Paulo Marcos Senra Souza é presidente da Associação para a Saúde Populacional

Fonte: ASAP Saúde

Enviado por Rochelle Rufino

Edição: A.N.

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