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As melhores (e piores) atitudes para combater o bullying

Professores, pais, pediatras e alunos devem se envolver na luta contra esse problema, capaz de provocar traumas para a vida inteira.

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Publicado em: 16 de abril de 2018

Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking de países que mais abrigam o bullying. Para ter ideia, 43% das crianças e dos jovens estão passando por apuros, como atitudes agressivas e intimidação. Encontrar as peças certas para prevenir ou eliminar esse comportamento exige o envolvimento de diversos atores. Família, escola e os próprios estudantes têm um papel a cumprir no combate às manifestações hostis. Veja o que os especialistas incentivam e o que contraindicam para a paz voltar a reinar.

Atitudes bem-vindas
Falar do assunto em sala de aula

É fundamental que os professores conversem com naturalidade e expliquem o que configura o bullying aos alunos. Nas classes podem ser realizadas inclusive atividades lúdicas e preventivas.Experts defendem que o tema precisa ser inserido no currículo escolar a fim de que os frutos sejam colhidos no longo prazo.

Ensinar por meio do exemplo

A falta de modelos positivos colabora muito para o bullying surgir e se perpetuar. É comum que uma criança, seja ela alvo, seja autora, esteja com dificuldades dentro de casa ou na escola. Pais e professores violentos estimulam atitudes similares por parte dos mais jovens.

Respeitar as diferenças

Em casa e no colégio, crianças precisam aprender desde cedo que o preconceito só traz prejuízos a si e ao grupo. E devem ser estimuladas a enxergar as necessidades ou o sofrimento do outro, com o intuito de impedir ou frear atos ofensivos. O ideal é que os jovens incorporem esses valores naturalmente e não sob o medo da repreensão.

Intervir no ato do bullying

Interferir no momento exato e apontar o que há de errado ajuda a evitar que o problema ganhe terreno, fuja do controle e fique posteriormente ainda mais grave. Sem contar que serve de exemplo para que outras crianças não cometam ou repitam comportamentos indesejáveis. Professores, pais e pediatras devem conversar sobre o comportamento do filho na escola, buscando, se preciso, soluções conjuntas.

Não deixar de envolver a família

Pais e cuidadores têm participação direta na contenção do bullying. Se os familiares não estabelecem diálogos, impõem limites e restringem acesso a várias formas de violência (na TV, na internet…), a criança não terá consciência de suas atitudes agressivas. Aliás, escola e família precisam se unir em qualquer caso do tipo.

Vale lembrar que não é raro que o hábito de importunar os outros comece em casa entre irmãos, o que pode se reproduzir na sala de aula.

Ouvir o que os alunos têm a dizer

As escolas devem promover espaços de diálogo que favoreçam os laços afetivos e melhorem a qualidade das relações. E isso inclui prestar atenção ao que sentem e expressam os próprios estudantes. As principais pistas para identificar, resolver e evitar os casos de bullying estão com os protagonistas dos episódios.

Atitudes contraindicadas
Fingir que não tem problema

Está aí um dos maiores erros quando o assunto é bullying. Muitos adultos encaram a questão como algo menor, passageiro ou simplesmente como parte da formação escolar. Não dá para menosprezar as ofensas e suas consequências. O comportamento agressivo gera traumas, alguns deles difíceis de superar.

Punir os agressores

Medidas radicais raramente resolvem. Nada supera uma abordagem detalhada, humana e que visa à construção de relacionamentos mais coesos. Psicólogos e médicos com expertise na área podem ser necessários para auxiliar o autor do bullying a vencer dificuldades e aprender um novo jeito de se portar.

Não ter um adulto por perto

No ambiente escolar, a presença de professores e monitores faz toda a diferença – sobretudo no recreio e nos intervalos. É geralmente na ausência dos adultos que o bullying se manifesta. Na verdade, os educadores devem instigar os alunos a ter limites por respeito mútuo e não pelo medo de castigo.

Fontes: Joel Conceição Bressa da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria; Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, psicóloga e professora da Universidade Federal de São Carlos; Maria Isabel da Silva Leme, psicóloga do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; Cléo Fante, pedagoga especialista em bullying (SP)
Edição: F.C.

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