(86) 3194-5100

Exemplo dos pais é decisivo para dieta dos filhos

Nutricionista destaca que é mais difícil mudar a rotina alimentar de adultos do que fazer o mesmo com crianças.

Tamanho da letra:
A
A
Publicado em: 09 de março de 2018

Quando viu diante de si o desafio de excluir da dieta qualquer alimento que viesse embalado, a carioca Carol Trotta se deu conta de algo que demorou 41 anos para perceber: 

— Na cozinha, eu só tinha pacotes! — diz ela, dando uma pausa entre cada palavra. — Quando Quando tirei todos os pacotes, pensei "E agora? O que vou comer?". Minha alimentação sempre foi bem ruim, e isso acabou impactando a alimentação de toda a família.

Carol é uma das participantes da nova temporada do programa comandado pela nutricionista Gabriela Kapim no canal de tv fechada GNT. Se antes a atração era intitulada "Socorro, meu filho come mal", agora são os pais que estão na berlinda, no "Socorro, meus pais comem mal!". A estreia é nesta sexta-feira, dia 9, às 22h30.

A rotina alimentar de Carol era "perfeita" para o programa: arroz, feijão, carne moída, ovo e macarrão. Só. Ela sempre evitava experimentar novos alimentos, nunca comia legumes e verduras e tinha como hábito tomar refigerante. Todos os dias.

— Eu nunca gostei de cozinhar, e ainda não gosto. Então, em casa, só tinha o básico mesmo. Eu comia sempre ovo frito no almoço, e tomar refrigerante era algo diário — conta ela, lembrando o quanto já mudou desde que começou a participar das gravações do programa, que duraram dois meses. — Hoje, eu como tomate, cenoura, rúcula. Comecei esse processo de mudança acrescentando comidas cruas à refeição, o que é mais prático para mim. E, quanto ao refrigerante, dos sete dias da semana, eu não bebo em três, e nos quatro restantes eu administro. É uma mudança devagar, uma plantinha que está germinando aos poucos.

Essa mudança já era exigida há algum tempo pelas filhas de Carol, as gêmeas Beatriz e Juliana, de 9 anos. As meninas nunca tiveram a mesma resistência da mãe a provar novos alimentos e variar as refeições, mas, como essa possibilidade não surgia dentro de casa, elas se acostumaram. No entanto, vez ou outra, as meninas chegavam a brigar com Carol:

— Elas chamavam minha atenção. E a do pai, que, apesar de gostar de frutas e sempre se esforçar para variar os pratos, sempre comia em frente à televisão — diz ela, "denunciando" o marido, Leonardo do Canto e Mello, de 43 anos.

À frente do programa, a nutricionista Gabriela Kapim decidiu que era hora de colocar os pais, e não os filhos, contra a parede. E assim surgiu a ideia da nova atração, com o objetivo que a transformação dos hábitos familiares seja mais consistente:

— Eu me dei conta, depois de muitos anos com o direcionamento para as crianças, de que os pais eram a fonte do problema — afirma Gabriela. — Eu percebia que, enquanto a criança estava comigo, ela comia bem, mas, quando voltava para casa, ela rapidamente acabava voltando a assumir um padrão equivocado, porque o erro estava na base, na estrutura familiar.

Ela destaca que é mais difícil mudar a rotina alimentar de adultos do que fazer o mesmo com crianças. Apesar de os pais, em geral darem menos "xilique" e fazerem menos "manha" em frente às câmeras, eles costumam ser bem mais resistentes a mudanças e a novas experiências.

Segundo ela, o exemplo dos pais é determinante para o modo como a criança vai se alimentar para o resto da vida.

— A criança aprende mais com exemplo e referência do que propriamente com que os pais falam. Eu digo muito que esse programa mostra o "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço", e esse lema gera um conflito muito grande para essas crianças, pois elas não entendem porque têm que fazer uma coisa que os pais não fazem. Para elas, não faz sentido — diz a nutricionista. — E a alimentação industrializada é muito forte para a geração dos pais. Mas como se pode achar que abrir um pacote de biscoito é mais prático do que descascar uma banana ou pegar uma maçã e sair comendo?. Não, não é mais prático. É só essa massificação da industria alimentícia que faz com que a gente pense isso. Mas a alimentação saudável pode ser prática, sim.

Durante as gravações do programa, o caso que mais chamou atenção de Gabriela foi o de uma mãe com uma alimentação tão restritiva que chegou a chorar quando teve que experimentar nugget de peixe.

— Ela tinha muita dificuldade de experimentar qualquer alimento novo. Tudo o que eu propunha ela rebatia com um discurso infantilizado: "E se for ruim?”, “E se eu tiver vontade de vomitar?", tudo o que eu ouço muito vindo das crianças — lembra.

A nutricionista Larissa Cohen,  destaca como é importante mudar antes a alimentação dos pais para que os filhos os sigam em uma rotina saudável e mantenham boa relação com a comida.

— Demonstrar para a criança a importância de se alimentar, levar a criança ao mercado, deixá-la participar da compra do alimento e ajudá-la a entender todo o caminho do alimento até chegar à mesa são estratégias ótimas para os pais melhorarem a dieta dos filhos.

E, embora seja muito mais fácil "moldar" o hábito alimentar na infância — tanto para o bem, quanto para o mal —, vale à pena os adultos que não se alimentam de forma saudável façam o esforço, em busca de uma melhor qualidade de vida para eles e para os filhos.

— É mais facil fazer trocas nesse período [da infância]. O paladar do adulto é mais difícil de mudar, precisa de um esforço a mais, mas sempre vale a pena — diz Larissa.

Gabriela Kapim elaborou mandamentos para adultos melhorarem a alimentação

1 - Comer sentado à mesa ("A maioria dos pais come assistindo a TV, sentado no chão, na rua, andando de um lado para o outro, no carro", diz ela);

2 - Comer sem eletrônicos ("Eles são todos viciados, tão ou mais do que as crianças");

3 - Ter cinco cores no prato ("É raro os pais conseguirem");

4 - Experimentar novos alimentos ("Como eles estão há muito mais tempo comendo mal, a resistência deles costuma ser maior do que a das crianças").


Fonte: O Globo
Edição: F.C.

Comentários

Nenhum comentário cadastrado. Seja o primeiro!





Deixe seu comentário

Nome*
Email*
Verificação*
Seu comentário*