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Nos EUA, juiz dá aval para mais de 400 ações contra a Monsanto irem a julgamento

Alegação é de que pesticida da empresa teria causado câncer em agricultores.

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Publicado em: 11 de julho de 2018

Após um homem com câncer em estágio terminal chegar aos tribunais dos EUA com uma ação contra a Monsanto, alegando que sua doença teria sido causada por um produto da empresa, centenas de outras pessoas tiveram autorização de um juiz, nesta terça-feira, para que seus processos judiciais também sejam julgados. O magistrado Vince Chhabria, da cidade de São Francisco, decidiu que, em vista da gravidade das queixas, é necessário que um júri ouça o relato das pessoas que culpam o glifosato — substância contida no pesticida Roundup, vendido pela Monsanto — pela incidência de câncer. O primeiro indivíduo a ter o caso avaliado em uma corte, o americano Dewayne Johnson, de 46 anos, afirma que desenvolveu Linfoma não-Hodgkin — um tipo de câncer de células do sangue — por ter fumegado o Roundup por mais de dois anos.

Esse pesticida é vendido há mais de 40 anos e, hoje, é um dos mais usados no mundo. Ele contém glifosato, uma substância muito controversa que é alvo de estudos científicos contraditórios sobre seu caráter cancerígeno. A Monsanto, que poderá ser obrigada a pagar milhões de dólares em reparação de danos, sempre negou qualquer ligação entre o câncer e o glifosato.

Há muita polêmica em torna dos estudos científicos sobre a substância. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA concluiu, em setembro passado, que o glifosato "provavelmente não é carcinogênico para humanos". Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o glifosato, em 2015, como "provavelmente carcinogênico para humanos".

As outras pessoas que, assim como Dewayne Johnson, reclamam de ter desenvolvido câncer por causa do pesticida foram diagnosticadas com o mesmo tipo de tumor maligno, o Linfoma não-Hodgkin. São mais de indivíduos, entre agricultores que trabalharam com o produto e consumidores de alimentos que absorveram o glifosato.

Aimee Wagstaff, uma das advogadas que representam as pessoas que processam a empresa, disse em comunicado que está satisfeita com o fato de seus clientes poderem levar seus casos ao tribunal. "É hora de responsabilizar a Monsanto por colocar este produto perigoso no mercado", disse a advogada. A Monsanto enfrenta 5 mil ações judiciais em diversos lugares dos Estados Unidos, alegando que o Roundup foi a causa de cânceres.

Embora a decisão do juiz distrital Vince Chhabria não seja vinculativa para todos esses indivíduos, os juízes dos tribunais estaduais vêm acompanhando de perto o litígio federal e as audiências de especialistas, o que pode influenciar em outras decisões.

Fonte: O Globo
Edição: F.C.

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