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Uso de suplementos vitamínicos sem indicação pode ser prejudicial

O uso indiscriminado das reposições preocupa porque o excesso de vitamina também pode causar danos ao corpo.

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Publicado em: 05 de dezembro de 2017

Se você não está se alimentando de forma equilibrada e acredita que tomar suplemento é a solução, fique atento. – Muitas pessoas têm aquela ideia: "Ah, estou meio cansado, vou tomar suplemento". Mas não pode ser assim – diz Carolina Leães Rech, professora na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e chefe do Serviço de Endocrinologia da Santa Casa. O alerta da endocrinologista chama atenção para a percepção de médicos de que suplementos vitamínicos e minerais passaram a ser consumidos indiscriminadamente, diante do primeiro sinal de fadiga. Mesmo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que não exige prescrição médica para a aquisição de suplementos alimentares, já informou que alguns desses produtos contêm ingredientes que não são seguros para o consumo alimentar nem devem ser ingeridos sem o acompanhamento de um médico.

– Para a população adulta em geral, não há evidência científica que justifique a suplementação contínua de polivitamínicos e minerais, até porque podem trazer mais riscos do que benefícios para a saúde – completa o médico nutrólogo Carlos Alberto Werutsky.

Nos casos específicos em que a ingestão desses complexos é recomendada, os médicos sugerem que seja feito o consumo apenas dos nutrientes de que o paciente realmente precisa. Se alguém está com falta de vitamina B12, não precisa também tomar cápsulas com uma série de outras vitaminas, por exemplo.

O uso indiscriminado das reposições preocupa porque o excesso de vitamina também pode causar prejuízos ao corpo. Sobrecarregar o fígado e o rim, que têm de metabolizar essas vitaminas e minerais, é um dos efeitos indesejados – e lesa especialmente os idosos, que já têm o funcionamento desses órgãos mais comprometido. Os prejuízos à saúde podem incluir ainda efeitos tóxicos, disfunções metabólicas, danos cardiovasculares e alterações do sistema nervoso.

Dados apresentados pela Associação Brasileira da Indústria de Suplementos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) apontam que 54% dos lares do país têm pelo menos uma pessoa que consome suplementos alimentares.
– A tendência da medicina é minimizar muito o uso de suplementos, orientando seu consumo só para casos muito específicos, para evitar a sobrecarga do corpo – explica Carolina.

Como identificar a deficiência de nutrientes
Se as unhas ficaram quebradiças, se o cabelo começou a cair em grande quantidade, se a fraqueza e o cansaço se tornaram crônicos, pode ser que a falta de nutrientes já venha se prolongando há anos. Problemas relacionados à deficiência de vitaminas e minerais não costumam dar sinais claros de imediato. Então, como identificar se eles estão em baixa no seu organismo?

O diagnóstico, que pode ser até preventivo, vem por meio de um exame de sangue completo. Como tem efeitos passíveis de serem sentidos em praticamente todo o corpo, esse exame pode ser solicitado por uma grande variedade de profissionais da saúde. Caso um deles sugira esse teste, não deixe de comparecer a um laboratório e, depois de receber os resultados, levá-los de volta ao seu médico, que poderá analisar os números e definir o que é necessário fazer a partir deles.

Em adultos saudáveis, sem problemas de saúde relacionados à falta de nutrientes na família, esse exame pode ser feito a cada dois, três anos.  Se for identificado algum problema, a frequência precisará ser aumentada. Às pessoas acima de 65 anos é recomendada uma revisão anual. Atletas, dependendo do ciclo de treino, devem fazer exame de sangue de três a quatro vezes por ano.

 

Fonte: ZH
Edição: F.C.

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