Homens também passam por processo semelhante à menopausa; entenda

Ela é caracterizada, especialmente, pela redução gradual da produção hormonal de testosterona. Em média, isso acontece a partir dos 40 anos de idade.

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Publicado em: 13 de julho de 2020
Imagem ilustrativa: Freepik

Você sabia que, assim como as mulheres passam pela menopausa, os homens também têm queda hormonal e diversos sintomas associados? Esse processo recebe o nome de Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino, também conhecida pela sigla DAEM.

A DAEM ocorre devido ao envelhecimento natural e não tem cura. Ela é caracterizada, especialmente, pela redução gradual da produção hormonal de testosterona pelos testículos. Em média, estima-se que a produção de testosterona cai 1% ao ano, a partir dos 40 anos de idade, mas é após os 60 que os sintomas ficam mais evidentes.

Embora sejam processos semelhantes, diferentemente das mulheres que entrarão, sempre, na menopausa e terão os sintomas associados, no caso dos homens, nem todos terão a deficiência capaz de trazer alterações clínicas.

"Apenas alguns homens terão uma grande redução, capaz de trazer repercussão clínica. E estes, apenas estes, terão DAEM. Em homens de 40 a 79 anos, a incidência de hipogonadismo laboratorial (queda de testosterona) e sintomático é de 2,1% a 5,7%. Quanto mais idoso, mais comum", explica Gustavo Ebaid, urologista do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

De acordo com o especialista, o diagnóstico é dado após a realização de exames laboratoriais. "Para ser classificado como tendo DAEM, o paciente precisa ter, obrigatoriamente, deficiência hormonal comprovada objetivamente com medição da testosterona sérica e quadro clínico típico. Não basta ter só o quadro clínico ou só a testosterona mais baixa", completa Ebaid.

Quais são os principais sintomas?

  • Diminuição da libido (desejo sexual);
  • Dificuldade de ereção;
  • Perda de musculatura;
  • Fragilidade óssea (como a osteoporose);
  • Acúmulo de gordura na região do abdome;
  • Perda de pelos;
  • Aumento da resistência à ação da insulina (causando diabetes);
  • Insônia;
  • Perda da capacidade cognitiva (memória, raciocínio);
  • Falta de disposição para trabalhos do dia a dia;
  • Sintomas depressivos;
  • Diminuição da vitalidade.


Vale lembrar que nem todos os homens terão esses sintomas. Além disso, eles variam de acordo com a saúde e o estilo de vida de cada pessoa.

Para tentar diminuir os efeitos ao longo dos anos e manter os níveis hormonais mais elevados, é importante manter a prática de exercícios físicos, especialmente musculação, e uma dieta balanceada, como salienta Carlos Bautzer, urologista do Hospital Sírio-Libanês e professor da Faculdade de Medicina do ABC (SP).

"Esses cuidados têm o intuito de reduzir o que chamamos de síndrome metabólica, que é uma associação de fatores de risco para diversas doenças como diabetes, AVC e eventos cardiológicos", diz Bautzer.

Alex Meller, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e urologista do Hospital Israelita Albert Einstein ressalta que alguns fatores contribuem ainda mais para perda de testosterona.

"Em algumas condições específicas, o paciente perde mais rápido. Se o paciente é obeso, diabético, fuma, se ele bebe muito, ou usa algum hormônio que afeta a produção hormonal, se faz quimioterapia, ou teve algum trauma na região dos testículos, daí ele perde isso mais rápido", destaca.

O especialista ressalta, ainda, que o estado emocional do homem também vai influenciar de maneira muito significativa no cotidiano. "Você pode desenvolver os sintomas mais ou menos intensamente de acordo com o seu perfil psicológico. Se você é uma pessoa sempre muito para cima e ativa, você desenvolve os sintomas, mas nem parece, mas se o cara era mais quietão, já não era muito animado com a vida, os sintomas vão aparecer de forma mais expressiva", diz Meller

Como é feito o tratamento?

O tratamento consiste, basicamente, em repor a testosterona. Essa reposição pode ser feita de diversas maneiras: por via oral, transdérmica (pomadas e adesivos), injeção (a cada três meses) e com o uso de gel diário.

"O tratamento desses fatores de risco como gordura abdominal aumentada, colesterol elevado, triglicérides aumentado, hipertensão arterial e glicemia elevada, mantém os níveis hormonais mais controlados", afirma Bautzer.

Não tome nenhuma atitude por conta própria
Para iniciar um tratamento de reposição hormonal é preciso buscar ajuda com um especialista. Quando é feito de maneira correta, pode melhorar a qualidade de vida e, sobretudo, aumentar a expectativa de vida dos pacientes.

O uso hormonal de maneira incorreta, sem acompanhamento médico e sem necessidade pode causar:

  • Infertilidade (principalmente em jovens);
  • Alterações hepáticas (cirrose hepática);
  • Aumento da próstata;
  • Atrofia testicular;
  • Risco de AVC;
  • Trombose;
  • Dependência de reposição de modo definitivo.

Contudo, os especialistas afirmam que a reposição hormonal não causa câncer de próstata, porém, um câncer preexistente pode, sim, crescer com a reposição, por isso o acompanhamento médico é primordial.

Fonte: UOL
Edição: C.S. 

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